O Estado do Pará

O cenário econômico internacional apresentou perspectivas mais otimistas em relação ao crescimento do PIB global em 2021, se comparado ao ano de 2020 motivado pela distribuição das vacinas no combate ao COVID-19. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou, em seu último relatório World Economic Outlook (WEO)[1], publicado em abril de 2021, que após uma contração estimada de -3,3% em 2020, projeta-se que a economia global cresça 6% em 2021 moderando para 4,4% em 2022. O cenário positivo da projeção em 2021 do FMI é resultado do apoio fiscal adicional em algumas economias influentes e a recuperação antecipada com base na vacina na segunda metade do ano.

O WEO também mostra que a expectativa do FMI para as economias avançadas é de -5,5% para 2021 e de 4,2% para 2022. Para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, a estimativa é de 6,7% em 2021 e 5,0% em 2022. Já para a Ásia Emergente a projeção de aumento é de 8,6% para 2021 e 6,0% para 2022.

No cenário nacional, dados das Contas Nacionais divulgados em março de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o PIB da economia brasileira fechou o ano de 2020 com retração de 4,1% em relação a 2019, porém o setor que estava em destaque como a Agropecuária apresentou um avanço de (2,0%) e o setor de Serviços apresentou retração de (-4,5%). O crescimento da Agropecuária decorreu do crescimento da produção e ganho de produtividade da atividade Agricultura, e no setor de Serviços vale destacar que estão os serviços prestados às famílias, os mais afetados negativamente pela restrição de funcionamento e distanciamento social em virtude da pandemia de COVID-19.

A expectativa do Banco Central do Brasil (BC) publicada no Relatório de Inflação de março de 2021 para o crescimento do PIB da economia do Brasil em 2021 reduziu para 3,6%, ante os 3,8% apresentado na edição anterior desse relatório. Essa relativa estabilidade na projeção reflete, o aumento positivo do PIB no quarto trimestre de 2020, e a manutenção da atividade econômica em nível elevado no início de 2021.

Em relação ao nível de preços, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou no mês de março variação de 0,93% e ficou 0,07 ponto percentual (p.p.) acima da taxa (0,86%), esse é o maior resultado para um mês de março desde 2015, os destaques de maior variação atingiram os grupos de transporte e habitação, que apresentaram no mês março alta de 3,81% e 0,81%, respectivamente, no entanto, o grupo de educação apresentou queda de -0,52%. O acumulado dos últimos doze meses foi para 6,10%, contra os 3,30% nos 12 meses imediatamente anteriores.

De acordo com a Pesquisa Focus realizada pelo BC, a previsão do mercado para a inflação apresentou aumento na mediana das projeções para a variação anual do IPCA em 2021, passando de 3,87% em 1 de março de 2021 para 4,81% em 29 de março de 2021. A estimativa para 2022 apresentou aumento da mediana de 3,50% para 3,51% para o mesmo período.

No cenário regional, a expectativa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA) para o crescimento da economia do Pará mostrou-se mais otimista no 1º trimestre de 2021. A Fundação projetou em março o crescimento real do PIB paraense em 2021 para 2,65%, ante -0,5% previsto em julho, influência da recuperação econômica após os impactos do Coronavírus. Independentemente das estimativas otimistas para economia do Pará, dados do IBGE de março são positivos e parecem ainda não refletir o impacto da pandemia na economia paraense.

O índice de atividade econômica regional do Pará (IBCR-Pa) de janeiro de 2021 apresentou variação de 5,02% em relação janeiro de 2020 (série dessazonalizada).

A indústria paraense também apresentou resultado positivo, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE de janeiro, a produção industrial do Estado apresentou avanço de 4,4%, em relação ao mês anterior (série com ajuste sazonal). Esse resultado foi motivado por bons resultados nos setores de indústrias extrativas, principalmente minério de ferro e metalurgia.

Quanto ao comércio local, dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE mostram que o volume de vendas do comércio varejista da economia paraense apresentou variação de -0,2 % no mês de janeiro de 2021 em comparação com o mês imediatamente anterior, na série dessazonalizada.

No tocante a inflação, dados do IBGE de março de 2021 mostram que o IPCA apurado na região metropolitana de Belém no acumulado dos últimos 12 meses foi 6,44%. No mês de março esse índice apurado no Estado apresentou deflação de 0,8%, destaque para o grupo de alimentos e bebidas, que apresentou resultado -0,06% nesse mesmo período.

No âmbito da gestão fiscal, o Pará apresenta bom conceito junto a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). De acordo com o Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais 2020 do Tesouro Nacional publicado em outubro de 2020, o Estado apresenta a nota "B" da CAPAG (Classificação da Capacidade de Pagamento).

[1] World Economic Outlook - relatório trimestral sobre expectativas econômicas, divulgado pelo FMI.